Life&Style: "Puttin'on the Ritz"

Por Sandra Gato
... Cantava (e dançava) Fred Astaire em 1930. Quase 30 anos antes do hotel Ritz de Lisboa ter sido inaugurado, em 1959. Não me lembro de músicas em português que prestem homenagem ao “nosso” Ritz mas tenho a certeza que histórias não faltam nestes quase 60 anos de vida. Adorava conhecê-las. Porque adoro histórias. E porque adoro Ritz. Como todos os espaços onde o luxo não é apenas um statement, a discrição é tão importante como o serviço irrepreensível ou os guardanapos com vinco marcado. Acredito, por isso, que nunca vá conhecer essas histórias. Mas posso imaginá-las. Algo que acontece sempre que passo as portas de vidro, abertas pelos simpáticos porteiros fardados, que temperam o rigor da sofisticação com uma proximidade perto do familiar.
Já tive a sorte de estar em quase todos os espaços do Ritz: numa suite extraordinária na qual infelizmente não dormi mas onde passei uma tarde a acompanhar uma produção fotográfica; no spa, onde já tive o privilégio de fazer alguns dos melhores tratamentos da minha vida (graças ao intercâmbio de terapeutas vindas de outros Four Seasons, como o de Bali ou Índia); no bar, o ponto de encontro perfeito independentemente do contexto; no salão nobre, que muda conforme o evento em causa mas sem nunca deixar de ser Ritz; no lobby, onde me deslumbro sempre com a arte e imponência dos arranjos florais; no Varanda, o restaurante do hotel onde já experimentei um inesquecível menu de trufas e que tem o melhor brunch da cidade; nas salas de reuniões, sempre “vestidas” à altura da situação; na cozinha que é um universo paralelo onde já tentei aprender a fazer risotto como o chef Pascal Meynard.
Mais do que conforto e bom gosto – dois elementos indispensáveis a hotéis de luxo – o Ritz tem substância. Tem uma película invisível que nenhum dinheiro compra, que é uma espécie de aura de luxo antigo, daquele que vem do savoir faire de empregados que trabalham no hotel há décadas e que o conhecem como a palma da mão e da inteligência de perceber que há locais que têm de inovar sem deixar de ser aquilo que são. E sempre foram. Puttin’ on the Ritz, anytime...

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